O mercado imobiliário brasileiro entrou no radar do Morgan Stanley, que tem um dos maiores fundos do mundo dedicados ao setor, com US$ 25 bilhões em caixa e US$ 100 bilhões em ativos distribuídos por vários países. Nos próximos três anos, o banco pretende investir no País cerca de US$ 900 milhões na compra de participação em empresas, financiamento de projetos e na construção ou compra de shoppings e empreendimentos imobiliários comerciais e industriais com parceiros locais.
O Morgan Stanley inaugurou sua área imobiliária no Brasil em agosto. De lá para cá, investiu US$ 200 milhões para virar sócio da incorporadora Abyara e da Bracor, empresa carioca controlada pelo bilionário americano Sam Zell. Na Abyara, o Morgan tem 22% das ações. Na Bracor, a participação deve subir dos atuais 12% para 18%. O banco já tem US$ 100 milhões aprovados para comprar mais ações e capitalizar essas empresas.
“O Brasil será importante para o fundo em sete a oito anos. No Japão, entramos em 1996 e passamos três anos sem investir um centavo. Hoje, temos 160 pessoas e é nosso segundo maior mercado”, diz o espanhol Alfonso Munk, diretor-executivo do Morgan Stanley. “Na América Latina, 90% do foco será no Brasil.
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“O maior fundo imobiliário do banco – o Morgan Stanley Real Estate Fund (MSREF) – chega ao País pela primeira vez na sua sétima versão. Até setembro, o MSREF deve estar com US$ 9 bilhões a US$ 11 bilhões em caixa. Desse total, US$ 500 milhões devem vir para o Brasil, para a compra de terrenos e construção de empreendimentos. “Como o mercado é muito novo, boa parte do dinheiro vai para incorporação, para novos projetos”, diz Munk.
O Special Situation, atualmente na terceira edição, é um fundo menor, voltado para compras de participações minoritárias em empresas. Além dos US$ 100 milhões já aprovados para Abyara e Bracor, o Morgan diz ter ainda até R$ 300 milhões para adquirir empresas de shoppings, de imóveis comerciais e de hotelaria. “Queremos diversificar. Se tivermos oportunidade e precisarmos de US$ 1 bilhão, por exemplo, podemos comprar com parceiros e outros investidores estrangeiros”, explica o executivo.
No ano passado, o Morgan chegou a fazer uma proposta pelos três shoppings do Grupo Malzoni, mas perdeu para a Brascan, que pagou US$ 1 bilhão para ficar com o West Plaza, Higienópolis e Paulista. O valor surpreendeu o mercado e inflacionou os preços nesse segmento. “Ficou caro comprar os grandes. Pequenos grupos, com shoppings fora de São Paulo e Rio, vão precisar mais do Morgan”, diz Munk. “Também estamos atentos às empresas na Bolsa, esperando o preço baixar mais. Não vamos investir no setor residencial agora.
“As ações da Abyara estão entre as que mais sofreram na Bolsa. Nos últimos seis meses, caíram 30,4%, ante uma alta de 5,5% do Ibovespa. Relatório de junho do JP Morgan mostrou que ela, Helbor, Klabin Segall, Even e Company são os grupos com posição financeira menos confortável (numa base relativa de comparação) para suportar os planos de crescimento.
“O Morgan Stanley perdeu o timing. Quando eles entraram na Abyara, as ações valiam R$ 21. Agora estão cotadas em R$ 12,49. Eles deviam ter capitalizado a empresa quando as ações estavam altas”, diz um empresário ligado à companhia.
Se depender do Morgan Stanley, porém, a Abyara não terá dificuldade em levantar capital. “A venda da corretora para a BR Brokers vai gerar recursos para os próximos 12 meses. E o fato de o Morgan colocar dinheiro pode animar os investidores”, diz Munk, que passa metade do seu tempo na Abyara.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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