Mundo Imobiliário

Atenção: Financiamento com FGTS e desconto em folha

28 Agosto, 2008 · Deixe um comentário

O Globo, Informe Publicitário, 25/ago

O Banco Real vai oferecer, ainda este ano, financiamento de imóveis com recursos do FGTS e crédito imobiliário com desconto em folha de pagamento. A previsão é de que até novembro as duas opções, que têm taxas de juros mais atraentes, estejam disponíveis. As informações foram dadas pelo superintendente executivo de Crédito Imobiliário do banco, Antonio Barbosa, no Salão do Imóvel 2008.

Segundo Barbosa, apesar do desenvolvimento do mercado imobiliário nos últimos anos/ ainda há bastante espaço para concessão de financiamento.

- A relação entre o crédito imobiliário e o PI B no Brasil é de apenas 2%. No México o percentual saltou de 1% para 9% em 15 anos. A perspectiva é de que o Brasil alcance o mesmo patamar até 2015 – afirmou.

Barbosa destacou que ainda há muito a ser feito para diminuir o déficit habitacional do país, hoje de 7/9 milhões de unidades. Ele observa que até 2020 serão necessárias 27,7 milhões de novas moradias para atender ao crescimento das famílias, zerar o déficit habitacional e acabar com a habitação precária. Para ele, o principal desafio do governo é facilitar o acesso ao crédito da parcela da população que recebe até três salários mínimos e, portanto, tem maior dificuldade de obter financiamento privado.

Ele enfatizou os avanços já registrados pelo setor: o crescimento de 86,7% nos financiamentos concedidos no Brasil de janeiro a junho deste ano, na comparação com igual período de 2007, registrando R$ 12,95 bilhões. O total de unidades financiadas foi 59% superior na mesma comparação, passando de 81 mil para 129 mil.

Segundo o Banco Central e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a expectativa para este ano é emprestar, com recursos da poupança, cerca de R$ 30 bilhões para a casa própria. O volume será 64% superior aos R$ 18,3 bilhões de 2007. “Até junho deste ano, o número de unidades financiadas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) foi de 128,44 mil, sendo 23% imóveis até R$ 150 mil, 21% acima de R$ 150 mil e 56% para construção. De janeiro a dezembro de 2007, foram financiados 195,9 mil imóveis.

Entre os fatores que contribuíram para a expansão do crédito imobiliário, Barbosa destacou a estabilidade econômica, taxas de juros decrescentes, controle da inflação, aumento de emprego e renda e maiores prazos dos financiamentos. O executivo prevê a continuidade de um cenário positivo no mercado Imobiliário, com aumento dos incentivos do governo para o segmento de baixa renda, aumento do poder de compra, redução nas taxas de juros a longo prazo e tendência de redução na idade média das pessoas que estão financiando imóveis.

Vale lembrar que a utilização do FGTS pelo banco para oferta de crédito imobiliário nada tem a ver com a utilização do fundo pelo trabalhador para financiamento da casa própria. Na prática, o FGTS é mais uma fonte utilizada pela instituição para oferta de crédito, assim como os recursos da caderneta de poupança, porém, com taxas de juros mais baixas.

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Entendendo os nichos do mercado potencial

28 Agosto, 2008 · Deixe um comentário

Construtoras miram gays e evangélicos

O Estado de São Paulo, Clarissa Thomé, 24/ago

Lançamentos de condomínios voltados a públicos específicos ganham adeptos em Rio, São Paulo e outros Estados; inspiração é européia

Um promete ser o “metro quadrado menos quadrado da Bahia”. O outro oferece vizinhança “cristã”. Apesar de terem alvos bem diferentes, dois empreendimentos recentes chamam a atenção ao seguir a última tendência do mercado imobiliário – oferecer condomínios a públicos cada vez mais segmentados. Na Bahia, a Plena Empreendimentos está prestes a entregar as chaves do primeiro village gay do País, o Aldeia Saint Sebastien, em Arembepe. No Rio, a Tenda lançou em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, o Comandante Life 1, “primeiro residencial clube evangélico”, conforme anúncio voltado a pastores.

As vendas do residencial evangélico começaram em 9 de agosto, após culto de lançamento da pedra fundamental, que reuniu cem pessoas sob chuva. Em 11 dias, metade dos 224 apartamentos já estava vendida. O condomínio tem todas as facilidades de um clube residencial convencional – piscinas, churrasqueira, salão de festas, espaço gourmet, parque infantil. O diferencial é que terá também uma Bíblia de bronze e os apartamentos só são oferecidos a fiéis evangélicos.

“Não é um projeto discriminatório. O que queremos é oferecer qualidade de vida, com vizinhança boa e confiável. Quem não for evangélico pode comprar. Mas vai saber que a maioria evangélica vai votar na convenção e estabelecer regras, como proibir álcool, fumo e palavras de baixo calão nas áreas comuns”, diz o secretário-geral da União Nacional Evangélica (UNE), Alcindo Plácido.

O projeto existe desde 1995. Plácido e Roberto Guarnier, donos da Taipá Planejamento e Construção, chegaram a lançar um conjunto habitacional nesses moldes num dos feirões da Caixa Econômica. Mas o financiamento estava em baixa, e o imóvel não deslanchou. O convênio com a Tenda permitiu que ele saísse da prancheta. “A média da Tenda é iniciar as construções com cerca de 30% dos contratos fechados. Vamos esperar para ultrapassar os 50% para garantir o caráter evangélico”, disse.

Na primeira etapa, não houve anúncio público do condomínio. A UNE, que congrega evangélicos de diferentes denominações, apresentou o projeto a pastores, que indicaram fiéis “em campanha de orações pela casa própria” com o perfil econômico necessário – renda familiar de R$ 1.800. Os apartamentos têm entre 56 m2 (dois quartos) e 78 m2 (três quartos dúplex) e custam a partir de R$ 79 mil. A cobertura permite instalação de piscina. A entrada é de R$ 1.100, as prestações iniciais saem a R$ 300.

A professora de Educação Física Kellen Damasceno Ribeiro, de 32 anos, e o assistente jurídico Adams da Luz Ribeiro, de 42, moram de aluguel e souberam do imóvel pelo pastor da igreja que o pai dela freqüenta. Os dois serão vizinhos do pai da moça, de dois casais e de um “rapaz solteiro” – todos da Igreja do Evangelho Quadrangular. “O lar deve ser ambiente de sossego, descanso. Se os vizinhos têm a mesma disposição, é mais fácil se entenderem”, disse Kellen.

O sucesso do negócio fez com que Plácido e Guarnier fossem procurados por construtoras até de fora do Estado. “Estão percebendo que o evangélico é bom cliente, persevera. Além disso, tem maior poder aquisitivo porque não bebe, não fuma e não tem segunda família”, diz Plácido.

SEM PRECONCEITO

Na Bahia, a Plena também apostou num público com bom poder aquisitivo – os gays. O Aldeia Saint Sebastien, homenagem ao santo escolhido pelos homossexuais, foi anunciado como o “metro quadrado menos quadrado” da Bahia. O condomínio fica de frente para o mar, na Praia do Piruí, e tem 68 apartamentos – o de três quartos com mezanino custa a partir de R$ 125 mil. Entre os compradores, apenas sete mulheres e um terço de estrangeiros.

A construtora inspirou-se em modelos comuns na Europa. Pesquisas revelaram o que público gay queria – cozinha americana, área de lazer ampla, ofurô, espaço gourmet, fitness e home theater. “Não é para família tradicional. A cozinha é americana, porque não se cozinha ali todo dia. Não tem parquinho para as crianças, mas tem espaço gourmet, onde as pessoas podem se reunir”, diz a arquiteta Mila de Azevedo, uma das autoras do projeto.

Com a proposta de agradar a um “público mais aberto”, alguns dos apartamentos são como lofts, com espaços livres. “Nada impede, por exemplo, que, na convenção do condomínio, a maioria decida por estender horário de festas, já que a regra tradicional é que o som seja reduzido a partir das 22 horas”, diz o diretor-financeiro da Plena, Iranildo Machado.

O funcionário público Cláudio Teixeira, de 46 anos, vendeu um apartamento em Salvador para mudar-se para Arembepe. “Em 2006, passei seis meses nos EUA e conheci essa proposta de moradia. Achei muito interessante. Quando vi que lançaram uma igual aqui, decidi que era hora de mudar de vida. Pedi transferência no emprego e vou trabalhar perto da casa nova.” A entrega das chaves está prevista para a primeira quinzena de setembro.

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