Mundo Imobiliário

Assunto do dia: A difícil travessia da Linha Verde

6 Julho, 2009 · Deixe um comentário

Criada para unir os dois lados da cidade, nova avenida ainda é um obstáculo para os pedestres

Seis meses depois da inauguração, o primeiro trecho da Linha Verde ainda não deu mostras de que o projeto número um da administração Beto Richa cumprirá seu principal objetivo: unir os dois lados da cidade, historicamente divididos por uma rodovia. Mesmo sem todos os empreendimentos e a ocupação previstos, um problema já incomoda quem mora ou trabalha na região: a dificuldade para atravessar a via. Dependendo do ponto, os pedestres precisam andar até um quilômetro para cruzar a pista em locais seguros. Outra alternativa é esperar que os veículos deem uma “folga” e atravessar longe dos semáforos – o que não é indicado sob o ponto de vista da segurança.

O problema é a falta de semáforos ou passarelas em determinados pontos. Há dois trechos de aproximadamente dois quilômetros sem sinaleiros, um entre o início da Linha Verde e a estação Vila São Pedro e outro entre as estações Xaxim e Santa Bernadethe. Em outros pontos, há “vazios” de até 1,5 quilômetro sem possibilidade de travessia. Segundo técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), existe a possibilidade de novos semáforos serem instalados no futuro, dependendo da necessidade e da ocupação da região (veja ao lado).

A reportagem esteve três vezes na Linha Verde nesta semana e constatou que a maioria das pessoas não anda até os cruzamentos para atravessar a via. Foi o caso do vigia Deivid Francisco de Souza, de 22 anos, e do jardineiro José Maurício da Silva, 36, flagrados ao cruzar as pistas entre as estações Santa Bernadethe e Vila Fanny. “Se quiser atravessar com segurança tem que andar muito”, afirma José Maurício. “Só se andar até o sinaleiro, mas nem sempre dá pra fazer isso. Se colocassem uma passarela ia ser melhor pra gente”, comenta Deivid.

A cozinheira Cristina da Silva, de 60 anos, e a auxiliar de cozinha Paula Guimarães, 25, moram na Vila Hauer e enfrentam uma dificuldade diária para atravessar a via na altura da Estação Vila Fanny – apesar de utilizarem a faixa de segurança. “Antes era até mais calmo, não tinha tanto ônibus”, diz Paula, que se queixa da impossibilidade de atravessar a via de uma só vez. “Quando o sinal abre a gente atravessa, mas quando chega na metade o sinal já fechou. E de manhã é pior, tenho que atravessar todo dia às 7h30, para levar os filhos para a escola.” Para Cristina, o ideal seria a instalação de passarelas. “[A Linha Verde] funciona, mas para quem está de carro. Para quem está a pé ficou bem difícil.”

Projeto

Para o engenheiro civil Eduardo Ratton, professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a origem do problema está no projeto inicial para transformar a antiga rodovia, iniciado durante a gestão do ex-prefeito Cassio Taniguchi (1997-2004). O projeto foi abandonado na época e retomado no primeiro mandato do prefeito Beto Richa. “Havia uma série de discussões”, lembra. “O objetivo principal era dar agilidade ao transporte coletivo, porque era um financiamento externo para a rede integrada da região metropolitana. Na época verificou-se irregularidades no projeto. Os sinaleiros eram a primeira coisa condenável, deveria haver viadutos e trincheiras.”

Ratton avalia que, em uma obra do porte da Linha Verde, não podem ser poupados recursos que garantam a segurança. “Na época já se questionava uma estação a cada quilômetro, a pessoa teria que andar 500 metros para um lado ou para o outro”, comenta. “É claro que as pessoas vão acabar não indo até o próximo sinaleiro, vão tentar atravessar no meio. É um erro de concepção. A coisa infelizmente passa por um investimento maior, mas estão insistindo nos sinaleiros, que já não são compatíveis com o trânsito conturbado da cidade. Hoje as pessoas levam 10, às vezes 15 minutos para atravessar a rua. Tem de ir lá e perguntar para os usuários, não basta fazer desenho.”

O arquiteto Fábio Duarte, professor do mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), avalia que o objetivo da Linha Verde era transformar a rodovia em uma via urbana, mas que o projeto viário a trata como uma autoestrada. “Se é para fazer uma via urbana, que vai ter edifícios altos, com travessias constantes, algumas coisas do cotidiano da Linha Verde não foram previstas no projeto viário”, afirma. “Uma solução vai ser a instalação de plataformas ou uma reforma total para as travessias em nível.”

Para Duarte, uma das saídas seria a instalação de semáforos inteligentes para os pedestres. “O mais recomendado é diminuir as distâncias entre as travessias”, diz. “O argumento contrário é que vai diminuir a velocidade do tráfego na via, mas hoje há poucas travessias, porque não há nenhum prédio habitacional.” Apesar dos problemas, o arquiteto considera que, com as mudanças previstas pela alteração no zoneamento, a Linha Verde possa unir os dois lados da cidade. “Ainda vai demandar um tempo, até o zoneamento começar a surtir efeito, até surgirem os prédios residenciais e comerciais.”

A travessia de pedestres é um dos temas que será avaliado na próxima edição do Fórum Linha Verde, em agosto, evento organizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura para discutir a paisagem que a antiga BR terá no futuro. “Nos polos [áreas próximas às estações] seria fundamental que se criasse algum tipo de sistema”, diz o arquiteto Orlando Ribero, organizador do fórum. Defensor dos semáforos inteligentes, quando houver “demanda que justifique isso”, ele considera as passarelas inviáveis. “Há um problema de acessibilidade. Como passa ônibus e caminhão por ali, a passarela teria de ter 7 ou 8 metros de altura. Com isso, a rampa não teria menos de 80 metros. Começa a ter uma extensão muito grande.”

Fonte: Gazeta do Povo (PR)

Categorias: Marketing Imobiliário · Mercado Curitibano
Etiquetado:

Tabela Price: legalizada!

6 Julho, 2009 · Deixe um comentário

MP legaliza correção pela Tabela Price

Valor Econômico, Daniela D’Ambrosio, 06/jul

Com a sanção da Medida Provisória 459 pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, o sistema Price passa a constar em lei. Isso deve pôr fim a uma antiga discussão sobre a legalidade da tabela, que prevê parcelas pré-fixadas, mas que levanta a discussão do pagamento de juros sobre juros, que é proibido no Brasil.

“Ela traz legalidade para um sistema que já é usado no Brasil pelos bancos privados e pelas construtoras após a entrega das chaves”, afirma o advogado Olivar Vitale Júnior, do Tubino Veloso, Vitale, Bicalho & Dias Advogados. “Nem os economistas têm consenso sobre isso”, diz.

No Brasil, não é permitido cobrar juros acima de 12% ao ano, com exceção dos bancos. Uma taxa de 12% ao ano nominal representa 12,68% em função da correção monetária sobre 1% ao mês. Há pessoas que contratam o financiamento e depois entram na Justiça para pedir a devolução dos 0,68% ao ano, por exemplo.

Atualmente, a maioria dos bancos privados oferece a Tabela Price, mas a Caixa Econômica Federal, principal agente de fomento do setor, não. A inclusão do uso da Tabela Price na MP 459 foi incluída pelos parlamentares.

A Price tem prestações fixas e juros decrescentes. No SAC (Sistema de Amortização Constante), como o próprio nome já diz, há amortização constante do principal e os juros decrescentes.

Já o Sacre é uma variação do SAC, cujo objetivo é permitir uma maior amortização do valor emprestado e, consequentemente, a redução do percentual de juros sobre o saldo devedor. “Este sistema de amortização é utilizado pela Caixa Econômica Federal (CEF) e alguns bancos privados, tendo em vista que ele proporciona uma redução mais rápida do saldo devedor, na medida em que os juros vão diminuindo simultaneamente”, afirma Fabio Seabra, diretor da consultoria imobiliária Sagace.

Segundo Seabra, a diferença entre o SAC e o SACRE é a aplicação da taxa referencial (conhecida pelo acrônimo TR) na fórmula que define a prestação, fator que provoca a variação da amortização. Por conta disso, a prestação inicial é mais alta, mas vai diminuindo ao longo do período.

Em uma simulação feita pela consultoria a pedido do Valor, um apartamento de R$ 250 mil com entrada de R$ 100 mil, financiado em 25 anos, com taxas médias de mercado, começa com, uma prestação de R$ 1,9 mil pela tabela SAC e R$ 1,7 mil na Price. A Price é pré-fixada, portanto sem correção mensal, e a SAC pós-fixada com 0,045% ao mês. “A comparação entre as duas simulações mostra que a amortização SAC é mais barata, com custo efetivo total (que representa todos os custos envolvidos na operação) de 12,35% e a Price, 14,21%”, diz Seabra.

Segundo Fabio Seabra, a SAC é mais vantajosa para clientes que queiram comprometer um valor maior da renda hoje ou que tenham objetivo de quitar o empréstimo antecipadamente – na tabela Price quase não há amortização do principal, e mesmo após alguns anos a dívida é praticamente a mesma do início.

Categorias: A Construção Civil · Conceitos e Fundamentos
Etiquetado:

Moradia de Alto Padrão … como fica?

6 Julho, 2009 · Deixe um comentário

Moradia de alto padrão já ensaia volta

Valor Econômico, Daniela D’Ambrosio, 06/jul

Imóveis acima de R$ 1 milhão venderam como nunca no auge do mercado imobiliário. Até o primeiro semestre do ano passado, as construtoras inundaram diferentes bairros das mais diversas capitais com plantas de quatro dormitórios e superiores a 250 metros quadrados. A crise atingiu em cheio esse segmento – que ficou paralisado depois de setembro.

No primeiro trimestre, praticamente não houve lançamentos de alto e altíssimo padrão. O pouco que se vendeu foi, em sua maioria, de estoques – produtos lançados em 2008. Apenas na cidade de São Paulo, segundo dados da Embraesp e Secovi, de janeiro a abril deste ano foram vendidas 1,4 mil unidades de apartamentos de quatro dormitórios, queda de quase 50% sobre as 2,7 mil comercializadas no mesmo perído de 2008. Anualizado, o número deste ano seria o mais baixo dos últimos cinco anos.

Aos poucos, no entanto, as vendas começam a voltar, segundo os incorporadores. Embora de forma mais lenta do que em imóveis de menor valor. Menos retraídas, as empresas começam a fazer lançamentos pontuais. Aliás, cada novo produto que chega ao mercado é analisado com lupa por toda a concorrência – que chega a comemorar o bom desempenho do vizinho como termômetro de reação do mercado.

A Lindenberg, que atua somente no alto padrão, já sente o mercado reagir. “Na época da crise, parou totalmente; a liquidez era o mais importante”, afirma Adolpho Lindenberg Filho. A empresa fez dois lançamentos este ano. Um deles numa das áreas mais nobres de São Paulo, próximo ao Clube Pinheiros, com apartamentos que custam R$ 1,6 milhão, vendeu 19 dos 20 andares disponíveis. Na Moóca – bairro de classe média da Zona Leste – lançamento de R$ 1 milhão feito em junho, vendeu quatro de 20 apartamentos. “Apesar de o mercado estar voltando, os incorporadores estão muito mais seletivos, com uma preocupação enorme em não errar os próximos lançamentos”, afirma.

A JHSF vendeu 40% da unidades e a cobertura, avaliada em R$ 10 milhões, de um lançamento na Vila Nova Conceição feito no final do ano passado. “O alto padrão começou a voltar nos últimos 60 dias”, afirma Júlio Pina, vice-presidente da imobiliária Brasil Brokers.

A Eztec lançou um empreendimento no Paraíso – bairro que não tinha novos produtos há tempos – com preço médio de R$ 1,5 milhão e vendeu 85% no primeiro final de semana. Muitos lançamentos represados devem voltar no segundo semestre, avalia Pina. “O efeito psicológico do plano do governo no mercado em geral foi muito positivo.”

No mercado de imóveis usados, no entanto, o alto padrão segue como o patinho feio do setor. De acordo com Ademar Larine, presidente da Credipronto – parceria entre Itaú e a Lopes – e da Pronto – braço de usados da Lopes – imóveis acima de R$ 1 milhão continuam sofrendo bastante. “Apesar da melhora das vendas em junho, esse mercado não reagiu ainda”, diz Larine. (DD)

Categorias: A Construção Civil · Imóveis Usados · Marketing Imobiliário
Etiquetado:

Se voce vai “reformar”, chegou a hora …

6 Julho, 2009 · Deixe um comentário

Extra, 05/jul

Quem está reformando ou pensa em fazer obras em casa terá mais 180 dias para comprar materiais de construção com desconto de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O governo prorrogou o benefício até 31 de dezembro deste ano. Além dos 23 produtos com taxação menor, como telhas de aço, chuveiros e cimento, a lista de desoneração passou a incluir também vergalhões de cobre. Para aproveitar a ampliação de prazo, as redes de varejo não param de criar promoções.

Categorias: A Construção Civil · O Setor Imobiliário
Etiquetado: , ,