Mundo Imobiliário

Otimismo: palavra de ordem!

8 Julho, 2009 · Deixe um comentário

Jornal do Commercio, Chiara Quintão, 06/jul

O setor imobiliário continua otimista em relação à execução do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, demonstrando interesse em participar não só da produção para a faixa de renda de três a dez salários-mínimos, mas também para o segmento de até três salários-mínimos. Isso apesar de considerar que, em quase três meses de vigor do pacote, a velocidade de aprovação dos projetos pela Caixa Econômica Federal ficou abaixo da esperada.

“É tudo muito novo, num volume que nunca foi avaliado pela engenharia e pela área jurídica da Caixa. Está havendo uma adaptação da Caixa e dos cartórios aos novos volumes”, afirma o diretor-geral da Living Construtora, empresa da Cyrela Brazil Realty para o segmento econômico, Antonio Guedes.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, diz não ter dúvidas de que haverá dificuldades operacionais no início da execução do Minha Casa, Minha Vida. “A Caixa, porénm se comprometeu a reduzir prazos em todas as etapas de análise dos projetos. Esperamos ter 700 mil unidades avaliadas e aprovadas pela Caixa até julho de 2010″, diz Simão, ressaltando que isso não significa que esse volume será erguido até o fim de 2010.

A estimativa da CBIC considera o potencial de 309 mil unidades dos projetos que 11 empresas de maior porte informaram ao governo que produzirão nos moldes do programa e a produção estimada pelas construtoras com foco em habitação social cadastradas na Caixa.

Até 18 de junho, a Caixa recebeu 472 propostas de projetos para o programa, o equivalente a 80.830 unidades. Do total, o banco começou a analisar as 159 que tinham a documentação completa. Segundo a Caixa, 79 foram contratadas – oito para empreendimentos da faixa de até três salários-mínimos e 64 para o segmento de três a dez salários-mínimos.

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Curitiba: da cautela ao crescimento

8 Julho, 2009 · 2 Comentários

Curitiba: da cautela ao crescimento

Empresas locais foram mais conservadoras no boom imobiliário e agora sentem pouco o desaquecimento

Por Mirian Blanco

Ao final de 2008, o estoque de unidades habitacionais da região metropolitana de Curitiba acumulava 6.894 residências. Três meses depois, ou seja, em março de 2009, enquanto grande parte das capitais brasileiras amargava um trimestre com força de vendas moderadas, a capacidade de compra dos curitibanos se manteve fortalecida, fazendo despencar para 2.200 unidades a reserva de imóveis disponíveis. Considerando que a demanda média anual da capital gira em torno de 9.429 habitações e que, portanto, há ainda espaço potencial, neste ano, para 8.800 novas moradias, dá para se concluir que a construção civil curitibana não vive exatamente o que pelo Brasil (e mundo) afora tem se chamado de crise.

De acordo com Gustavo Selig, presidente da Ademi-PR (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná), a profundidade da estagnação do mercado imobiliário paranaense entre 1999 a 2004 explica o fôlego de crescimento atual. Naqueles anos, a capital do Estado registrou o valor por metro quadrado mais baixo dentre as capitais brasileiras e índices de lançamentos muito inferiores às médias do País, forçando a falência de empresas locais tradicionais.

O cenário começou a mudar em 2004, mas foi apenas em 2007 e, principalmente, em 2008, com um princípio de correção de valores, preços e lançamentos em escalas numerosas, que o mercado ingressou num ciclo de crescimento. Em 2004, 765 unidades verticais com três dormitórios foram lançadas em Curitiba, contra 3.605 apartamentos (quase cinco vezes mais) colocados à venda em 2008. “Mas por conta de tantos anos de estagnação, a oferta, que vem sendo de 3.304 unidades por ano, ainda não supre a necessidade do mercado de nove mil unidades por ano, com carência grande em todas as faixas de renda e de imóveis”, afirma Selig.

Para o presidente do Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná), Hamilton Frank, que não acredita em imunidade frente à crise – “quando ela vem, vem para todos” -, foi exatamente o sofrimento do setor que hoje garante o crescimento. “Vacinadas com o que ocorreu cinco ou seis anos atrás, as empresas locais foram mais conservadoras, até porque não deu tempo de as incorporadoras transnacionais chegarem até aqui, e, por isso, não houve excesso de lançamentos e o crescimento ainda é consistente”, explica. “Os negócios continuam normalmente e quem lançou um pouco menos em 2008, terá um mercado mais regulado em 2009.”

Por todos esses motivos, o mercado de construção imobiliária em Curitiba deve crescer, segundo expectativa da Ademi-PR, 38% em 2009. Apenas nos três primeiros meses do ano, historicamente fracos de venda, já se registra um aprimoramento de 13% no número de imóveis comercializados. Além disso, a região metropolitana de Curitiba registrou acréscimo de 504 empregos formais (+0,06%), o melhor desempenho entre as regiões do Paraná, sendo que a construção civil, em janeiro, registrou maior índice de aumento em contratação (1,50%) em relação ao mês anterior, na comparação com outras atividades econômicas.

Lançamentos mantidos

O otimismo é tanto que, na contramão da maioria das incorporadoras brasileiras, em Curitiba não se fala em protelação de novos produtos. “As empresas locais não recuaram das intenções que tinham no ano passado”, comenta Frank, do Sinduscon-PR.

“Na primeira quinzena de março, tivemos uma reunião com os empresários locais e todos confirmaram novos lançamentos para este ano”, diz Selig, da Ademi. O que tem ocorrido, segundo ele, é uma readequação de projetos: em vez de lançar um apartamento com quatro dormitórios, lança-se um de três para aumentar o potencial de consumidores, por exemplo.

Em números de alvarás, a prefeitura já aprovou, no primeiro trimestre do ano, 31 novas obras. A própria empresa de Gustavo Selig, a Héstia Construções e Empreendimentos, comprova a boa fase da capital dos empresários locais. “Os meses de janeiro e fevereiro deste ano foram 70% melhores que no ano passado, não tenho nada do que reclamar”, diz.

Na Apolar Imóveis, os resultados também são positivos. “No mês passado, cinco dias depois do lançamento de um prédio, já tínhamos negociado um terço do total”, alegra-se Daniel Galiano, diretor da divisão vendas da imobiliária. De acordo com ele, as transações de apartamentos à vista tiveram um aumento de 15% do total de negócios realizados no início do ano.

O único índice que revela algum impacto negativo frente ao receio de instabilidade econômica do mercado atual, segundo o dirigente, refere-se à velocidade de efetivação de negócios. “Há seis meses, o tempo médio de fechamento de contrato era de cinco dias. Hoje, passou para 18 dias”, conta.

Regiões e tipos de imóvel

Os profissionais consultados concordam que a demanda da capital paranaense contempla todas as classes sociais e padrões de imóveis. Dos populares (de R$ 60 a R$ 90 mil) e econômicos (de R$ 90 a R$ 150 mil) aos de médio (até R$ 350 mil) e alto padrão (a partir de R$ 350 mil). Mas também todos afirmam que a carência maior da região remete ao público com renda de até cinco salários mínimos, que procura apartamentos de cerca de R$ 150 mil. “Por outro lado, 10% da demanda refere-se a consumidores com renda acima de 20 salários mínimos para apartamentos acima de R$ 600 mil”, diz Selig.

Dados atualizados da Ademi-PR mostram que cerca de 60% dos lançamentos de Curitiba e região metropolitana se concentram na região do entorno do centro da capital. Outras áreas satisfatoriamente supridas são os bairros nobres de Cabral, Centro Cívico, Batel, Vila Isabel e Água Verde. Já as novas oportunidades – ou focos de baixa concentração imobiliária – localizam-se, ainda segundo a entidade, na região de Pinhais – área metropolitana que ainda não registra nenhum lançamento, e São José dos Pinhais.

Indústria segue estável

Dados recentes do IBGE mostram que entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, os índices regionais brasileiros da produção industrial ajustados sazonalmente avançaram em apenas oito dos 14 locais pesquisados. Entre esses, Paraná foi o que obteve melhor resultado, de 6,8%, crescimento muito acima da média nacional (2,3%), embora tivesse vindo de dois meses consecutivos de queda, acumulando perda de 13,7% nesse período. Com isso, a média móvel trimestral (-2,8%) reduziu o ritmo de queda em relação ao mês anterior (-4,4%).

Ainda assim, por se tratar de uma região metropolitana com refinarias da Petrobras, o potencial construtivo em infraestrutura e, principalmente, em ampliação de plantas continua expressivo. O Sinduscon-PR também informa que tanto os municípios quanto o Estado têm licitado um número significativo de obras, que abrangem saneamento, conservação de rodovias e construção de hospitais e escolas.

RESUMO DA REGIÃO

Por que não sentiu a crise?

Contextual: a estagnação do mercado imobiliário local por mais de cinco anos provocou um déficit habitacional ainda demandante e não suprido;

Mercado: ao contrário de regiões de euforia do boom da construção, Curitiba manteve um crescimento conservador, embora perene, com estoques baixos.

Principais investimentos na região

Lançamentos imobiliários de todos os portes, com destaque para o segmento popular voltado às famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Oportunidades

Imóveis econômicos, com preço de venda de até R$ 150 mil, em regiões afastadas do perímetro central de Curitiba, como São José dos Pinhais e Pinhais.

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